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06/01/2026 | 6 min de leitura

Uma Wimbledon brasileira? O interior paulista abriga rara quadra de tênis em grama natural

Quadra de tênis vista de cima com jogadores

Enquanto o saibro segue como piso predominante nas quadras de tênis brasileiras, uma exceção silenciosa chama atenção no interior de São Paulo. Uma quadra de grama natural foi construída com tecnologia e manejo específico, a Itograss Tennis Experience, contrariando a lógica esportiva e agronômica do país.

Do Saibro à grama: A quebra de paradigmas nas quadras de tênis no Brasil

“A tradição brasileira sempre foi o saibro, e só recentemente os pisos rápidos começaram a ganhar espaço”, explica Rodrigo Santos, engenheiro agrônomo e coordenador do Centro de Gramados Esportivos da Itograss, empresa responsável pelo projeto da quadra. “A grama era quase um tabu por aqui. Mas estamos mostrando que é possível.”

 A adaptação da grama TifEagle inspirada em Wimbledon

Inspirada nas lendárias quadras de Wimbledon, a estrutura foi adaptada para as condições tropicais do Brasil. O tipo de grama escolhido foi a TifEagle, da família das Bermudas, que suporta o calor, o solo arenoso e as intensas chuvas tropicais, características que inviabilizaram o uso das variedades tradicionais britânicas. Segundo Rodrigo, a jogabilidade da quadra paulista é comparável, e até superior, à de gramados europeus de alto padrão.

A escolha pela grama natural não foi apenas estética ou simbólica. Esse tipo de piso confere uma atmosfera única ao nosso país, sendo uma superfície bastante rara no circuito de tênis. Diferencia-se significativamente das utilizadas em outros países da Europa, além de uma experiência mais agradável ao tenista. “Todo atleta sonha em jogar na grama. É o piso mais icônico do tênis”, diz Rodrigo.

Vista lateral da quadra de tênis com a grama verdinha

Desafios e técnicas de manutenção de quadras de grama

Porém, os desafios não são poucos. A manutenção de uma quadra como essa exige conhecimento técnico, rotina intensa de cortes, feitos com equipamentos específicos, capazes de formar as clássicas listras vistas em Wimbledon, e um rígido controle de nutrientes. “Trata-se de um ser vivo. O uso precisa ser controlado. O ideal é entre seis e oito horas de jogo por semana, com pausas periódicas para recuperação do gramado”, afirma.

Rodrigo destaca ainda que a construção da quadra demandou adaptações técnicas em relação ao modelo europeu. Foi necessário redesenhar todo o sistema de drenagem, além de investir no treinamento de profissionais que cuidam da manutenção. “A falta de tradição é um entrave inicial, mas temos superado com tecnologia e formação”, resume.

O Itograss Tennis Experience é, por enquanto, isolado. Mas aponta para uma possibilidade real: o Brasil pode, sim, cultivar e manter quadras de grama de alto nível. “Assim como os jogadores evoluem, as quadras também precisam acompanhar. E isso vale inclusive para o nosso clima”, diz Rodrigo. Se depender da iniciativa, o charme e a tradição do tênis na grama têm tudo para fincar raízes mais profundas por aqui.